Diário de Cuiabá

   Sábado, 20 de outubro de 2018 Edição nº 15043 18/08/2018  










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Aumenta impacto da pecuária no aquecimento global

Empresas de carne e laticínios poluem mais do que petrolíferas; Relatório critica falta de apoio do setor de alimentos à luta contra caos climático

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No Brasil, pecuária ocupa espaço maior do que o necessário e frigoríficos têm muito poder, diz especialista
MARIA PIMENTA
Especial para o DIÁRIO

Quando se pensa na emissão de gases de efeito estufa, a primeira imagem lembrada por muitas pessoas é da chaminé de usinas em plena atividade. No entanto, a principal ameaça que pode levar o planeta a sucumbir às mudanças climáticas está mudando de nome. Segundo um novo relatório do Instituto de Política Agrícola e Comercial (IATP) e da Grain, uma organização internacional de apoio à produção agrícola sustentável, as cinco maiores empresas de carne e laticínios, somadas, já são responsáveis por mais emissões de poluentes na atmosfera do que as principais petrolíferas do planeta.

Segundo o relatório, “ao contrário de suas contrapartes do setor energético, as grandes empresas de carne e laticínios escaparam até agora do escrutínio público sobre sua contribuição para as mudanças climáticas. A falta de informações públicas sobre a magnitude de sua pegada de gases de efeito estufa é um dos principais fatores para isso”.

A coleta dos dados sublinhou a despreocupação do setor em manter o aumento da temperatura global abaixo de 2 graus Celsius, como foi estabelecido no Acordo de Paris. A maioria das 35 principais empresas de carne e laticínios não consegue relatar completamente as emissões ou exclui aquelas ligadas à rede de fornecimento, responsável por até 90% dos poluentes jogados para a atmosfera. Apenas metade anunciou metas para reduzir os gases estufa, e somente seis incluíram em seus planos alguma ação envolvendo a cadeia de suprimentos.

Poucos países têm participação expressiva na potencial tragédia ao clima. Estados Unidos, Canadá, União Europeia, Brasil, Argentina, Austrália e Nova Zelândia concentram 43% das emissões relacionadas à produção de carne e laticínios, embora concentrem apenas 15% da população mundial. Estes alimentos também estão cada vez mais presentes na dieta de indianos e chineses, o que também elevou estas nações ao posto de grandes poluidoras.

Devlin Kuyek, pesquisador da Grain, avalia que a única estratégia possível para evitar as caóticas mudanças climáticas é “reduzir significativamente” a produção de carnes e laticínios nos países que dominam o setor.

“Essas corporações estão pressionando por acordos comerciais que aumentem as exportações e as emissões, e estão minando soluções climáticas reais, como a agroecologia, que beneficia agricultores, trabalhadores e consumidores”, critica.

Uma das empresas estudadas projetou que, no Brasil, o consumo anual de carne per capita aumentará 30% em pouco mais de três décadas, passando de 37 quilos por pessoa em 1999 para 48 quilos em 2030.

O Greenpeace, no entanto, recomenda o contrário. Para evitar o aumento descontrolado das emissões e eventos climáticos extremos, o consumo global de carne e laticínios deve cair para 22 kg per capita ao ano até 2030 e, depois, para 16 kg em meados do século.

Para a diretora do IATP, Shefali Sharma, o relatório sobre o comportamento das empresas evidencia uma luta entre o lucro e o planeta.

“Não existe carne barata. É hora de percebermos que o consumo excessivo está diretamente ligado aos subsídios que fornecemos à indústria para continuar desmatando, esgotando nossos recursos naturais e criando um grande risco à saúde pública por meio do uso excessivo de antibióticos. Agora, o relatório mostra o papel fundamental que estas companhias desempenham também para as mudanças climáticas”, alerta Sharma.

O relatório menciona a “onipresença de grandes executivos de carnes e laticínios nos ciclos políticos dos governos e sua correspondente influência na agricultura e nas mudanças climáticas”. É o caso, diz o documento, do ministro da Agricultura brasileiro, Blairo Maggi, um dos maiores produtores de alimentos para animais do país, e que no ano passado defendeu na ONU o consumo de carne bovina.

Gerente da iniciativa de clima e agropecuária do Imaflora, Marina Piatto avalia que o dano causado pela produção de carne e laticínios é desconhecido pela maioria da população do país. Os alertas, quando existentes, são feitos da forma equivocada.

“O brasileiro está mais interessado na abordagem de situações que fazem parte diretamente de seu cotidiano, como as emissões no transporte. Mas a mensagem do setor alimentício é muito extremista, como se fosse necessário que todos virassem veganos. Devemos ser menos radicais e falar em consumo moderado”, explica.

Marina aponta desorganizações em toda a cadeia produtiva — a área de pastagem é muito grande, os frigoríficos têm uma influência desproporcional na economia brasileira. Mas o poder público, embora não seja alvo do novo relatório, também tem sua responsabilidade.

“É fácil criticar a iniciativa privada, mas ela é apenas um elo da cadeia. O governo deve apresentar uma série de medidas, como promover a regularização fundiária e oferecer assistência técnica e tecnologia para melhorar a produção agropecuária”, recomenda.



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